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O voto evangélico e a igreja cidadã

Fonte: Ultimato Às vésperas das eleições, o Brasil respira política – para o bem ou para o mal. O debate que vai além dos interesses individuais é sadio e necessário. No entanto, não é raro perceber que muitos diálogos são moldados por polarizações irrelevantes, interesses corporativos ou mesmo descontroles emocionais. O meio evangélico não está a salvo dessas tentações. Somos movidos, muitas vezes, por discursos pretensamente religiosos, mas pouco cristãos, e por práticas não muito éticas, mesmo usando o nome de Deus.
Por isso, publicamos a seguir dois importantes textos que podem ajudar o cristão a tomar decisões e posturas mais corretas nesta arena que toma conta do país. O primeiro chama-se “Decálogo do Voto Evangélico”, publicado na década de 90 pela então Aliança Evangélica Brasileira (AEvB). Já o segundo texto – “Pastoral à Igreja Cidadã” – foi escrito recentemente e faz parte da cartilha Os Evangélicos e a Transformação Social, da Aliança Cristã Evangélica Brasileira, fundada em 2010. Se o primeiro texto norteia uma postura cristã individual diante das eleições, o segundo valoriza a identidade comunitária e cidadã da igreja não somente em tempo de eleições.aa

Decálogo do Voto Evangélico
I. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu país, estado e município. II. O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade noutra direção. III. Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, a bem de sua credibilidade, o pastor evitará transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário. IV. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a comunidade deve votar é organizar debates multipartidários, nos quais, simultânea ou alternadamente, representantes das correntes partidárias possam ser ouvidos sem preconceitos. V. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil impõe que não sejam conduzidos processos de apoio a candidatos ou partidos dentro da igreja, sob pena de constranger os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a comunidade. VI. Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidos com as causas da justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou de uma denominação evangélica. É óbvio que a igreja tem interesses que passam também pela dimensão político-institucional. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político de fé evangélica tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um “despachante” de igrejas. Ao defender os direitos universais do homem, a democracia, o estado leigo, entre outras conquistas, o cristão estará defendendo a Igreja. VII. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um evangélico político votou de determinada maneira porque obteve a promessa de que, em assim fazendo, conseguiria alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades, tratamento especial perante a lei ou outros “trocos”, ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesse, não se pode, entretanto, admitir que tais “acertos” impliquem a prostituição da consciência cristã, mesmo que a “recompensa” seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Jesus Cristo não aceitou ganhar os “reinos deste mundo” por quaisquer meios, Ele preferiu o caminho da cruz. VIII. Os votos para Presidente da República e para cargos majoritários devem, sobretudo, basear-se em programas de governo e no conjunto das forças partidárias por detrás de tais candidaturas, que, no Brasil, são, em extremo, determinantes; não em função de “boatos” do tipo: “O candidato tal é ateu”; ou: “O fulano vai fechar as igrejas”; ou: “O sicrano não vai dar nada para os evangélicos”; ou ainda: “O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos”. É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos. IX. Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: “o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto”, é compreensível que dê um “voto de confiança” a esse irmão na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. Entretanto, é de bom alvitre considerar que ninguém atua sozinho, por melhor que seja o irmão em questão, ele dificilmente transcenderá a agremiação política de que é membro, ou as forças políticas que o apoiem. X. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político-partidário, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina.

Fonte: http://www.montesiao.pro.br/estudos/politica/decalogo_voto.html  Pastoral à Igreja Cidadã
A igreja é a principal expressão da presença de Deus no mundo. Um povo santo, que celebra o Cristo ressurreto todas as vezes que congrega em comunidade, caminha pelas ruas da cidade, professa um ofício com dedicação e honra ou mesmo quando cuida da família com devoção. É povo formado por gente que deseja se parecer com Jesus.

1. A dupla cidadania
No Sermão do Monte, o Senhor Jesus apresenta o significado de uma vida vivida debaixo da dinâmica do governo de Deus sobre todas as coisas. As bem-aventuranças sinalizam um modelo de contracultura, onde o discípulo de Cristo é chamado ao protagonismo no reino dos homens, na medida em que se rende ao senhorio daquele cujo propósito na vida foi o serviço humilde, em cumprimento à vontade do Pai.

1.1. Povo quebrantado (Mt 5.3-4)
Os cidadãos do reino de Deus são aqueles que primeiro reconhecem a insuficiência dos esforços humanos como caminho de salvação (Ef 2.8). Os que entram no reino dos céus são aqueles que sabem não serem merecedores desse reino; são desprovidos de qualquer justiça própria; são humildes/pobres de espírito e, por isso, choram, quebrantados, o choro do arrependimento e da contrição. (2Cr 7.14)

1.2. Povo humilde (Mt 5.5-6)
Povo manso/humilde é povo que entende o seu lugar no mundo, debaixo do senhorio de Cristo. Suas bandeiras serão sempre as da entrega sacrificial em amor. É povo comprometido com as causas da justiça restaurativa, desejoso por ver os valores do Reino sendo sinalizados sobre a terra (Mt 6.33).

1.3. Povo compassivo (Mt 5.7-9)
O povo de Deus, cheio da graça de Deus, é povo generoso. É gente que trata o seu próximo como criatura feita à imagem de Deus, e não como inimigo em potencial. É gente promotora de paz – não a paz “ausência de guerra”, mas a shalom, a paz que promove bem-estar completo e qualidade de vida para a coletividade.

1.4. Povo perseguido (Mt 5.10-12)
Não há garantias de segurança para quem escolhe o caminho do discipulado. Assim como o evangelho atrai a tantos, a outros tantos ele repele. O caminho da cruz envolve arrependimento e renúncia da justiça própria; isso ofenderá muitos. A igreja cidadã compreende que o seu compromisso maior é com o eterno. Ela é esperançosa e perseverante; sua fé no Cristo ressurreto não admite o desespero.

2. Os desafios do nosso tempo
2.1. O desafio de conhecer a realidade
O mundo que se apresenta diante de nós é marcado pela secularização, a pluralidade religiosa e o relativismo ético. A igreja do Senhor Jesus, comprometida com a missão de Deus, deve buscar conhecer a realidade em que está inserida. Deve ouvir o clamor do mundo e prestar atenção nas dores, bem como nas flores. O povo de Deus é peregrino, mas também é indígena, ou seja, da terra. Está de passagem, porém tem um compromisso com a realidade como ela se apresenta. O povo de Deus reconhece na pluralidade de manifestações culturais, científicas e religiosas, oportunidades potenciais para um serviço cristão que parta das reais necessidades de um mundo fraturado pela ação do mal.

2.2. O desafio de discernir a realidade
A igreja cidadã saberá ter objetividade em relação às necessidades reais do mundo em que vive. Lucidez é essa capacidade de avaliar com inteligência as conjunturas, nas suas dinâmicas de vida e de morte. Discernir a realidade é fazer uma aproximação crítica, atenta ao controle e à manipulação da grande mídia e de outros poderes, buscando sempre entender o porquê de as coisas serem como são. O Espírito Santo guiará a Igreja nesse entendimento.

2.3. O desafio de interceder pela realidade
O povo de Deus é chamado a interceder não somente pelas causas individuais. É preciso um posicionamento sério de oração pelas causas coletivas, pelas questões que envolvem a cidade, a nação e o mundo. Cremos em um Deus que pode transformar realidades. Por isso, é preciso compromisso intencional de intercessão pelo mundo, e estar atento às questões que envolvem as grandes estruturas para a vida em sociedade.
A igreja deve orar pela libertação de grupos oprimidos, pela saída dos homens maus dos lugares de poder, pela consolidação e garantia dos espaços democráticos de expressão.

2.4. O desafio de intervir na realidade
Todo cristão precisa dar a sua contribuição de intervenção na realidade.
Essa contribuição responde à pergunta “O que me cabe fazer?”. A igreja brasileira constrói a sua identidade por afirmação e não somente por antagonismo.
Nós não somos salvos pelas obras, mas elas foram preparadas por Deus para que andássemos nelas (Ef 2.10). É dessa forma que a igreja intervirá propositivamente na realidade social. O Brasil é, notadamente, uma nação religiosa. Nem sempre o Estado anda em compasso com os anseios da Nação. A igreja se posiciona, no espírito de Cristo, através das causas que são legitimadas pelos valores do reino de Deus. O exercício de uma cidadania responsável é um conceito de santidade cristã.

Fonte: Cartilha Os Evangélicos e a Transformação Social, p. 28-32. Baixe esta publicação gratuitamente em ultimato.com.br/loja/ebooks.

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  • "A igreja deve ser lembrada de que não é a mestra ou a serva do Estado, mas sim a sua consciência... Ela deve ser a guia e a crítica do Estado, nunca sua ferramenta. Se a igreja não recuperar seu fervor profético, ela se tornará um clube social irrelevante, sem autoridade moral ou espiritual." Pr. Martin Luther King

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  • O Evangelho deve ser proclamado pela Igreja. Mas a Igreja precisa ter credibilidade junto ao povo. Quem irá ouvir a Igreja se ela se omitir frente a tamanha injustiça social que há em nosso país?

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