Até quando, Senhor? Até onde, Senhor?

Este tempo, no qual acabamos de celebrar a independência do Brasil, neste ano de 2018 carrega consigo, história a dentro, uma mancha que ficará como um triste e inaceitável legado, do qual nossos filhos e netos tomarão conhecimento através de suas lições de História.

Como pertencentes ao povo de Deus, neste país, nós levamos essa mancha em oração diante de Deus e, juntando as nossas vozes ao salmista, perguntamos ao Senhor até quando e até onde a nossa nação experimentará violência, destruição e a própria desagregação do seu tecido social. A nossa oração, nesta hora, é a expressão de um gemido intercessório de dor por esta bonita nação e todos que nela vivem.

Não são corriqueiros nem simples alguns dos acontecimentos recentes, como os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do Anderson Gomes, seu motorista, que permanecem sem ser esclarecidos. Ainda ontem, estupefatos, vimos as chamas lamberem e devorarem parte da nossa história e, com isso, parte de nós mesmos; e assim as paredes remanescentes do Museu Nacional se transformaram numa mancha a marcar o ano de 2018. As interpretações para tamanho descaso e irresponsabilidade variam. E assim nos consumimos em acusações mútuas, espelhando uma nação que parece cada vez mais agressiva, perdida e desesperada. Em oração nos aproximamos ao coração de Deus e clamamos: até quando, Senhor e até onde, Senhor?

Nestes últimos dias, mais que assustados, pisamos num degrau mais profundo no nosso processo de desumanização: Jair Bolsonaro, candidato à presidência da República na eleição que acontecerá em poucas semanas, foi esfaqueado em pleno uso da legítima liberdade de fazer sua campanha política. Consternados, perguntamos: Que país é este que gera agressividade tal que nem um candidato à presidência de nossa nação está livre de uma sorrateira facada? E, junto com a pergunta, se escasseia o ar da nossa civilidade e parece que fazemos parte de uma nação que em sua agonia semeia a violência que se reproduz e a destrói.

Estamos parcos de respostas, mas cheios de um clamor e um temor que endereçamos Àquele que sabemos que nos escuta. E juntos dizemos: Tem misericórdia de nós e ouve o nosso clamor! Não oramos por vingança, pois esta gerará mais ódio, polarização e a sede por uma nova violência. Não oramos por um confronto de partidos e de posições políticas que gere mais vítimas entre nós. A esperança que nasce do nosso gemido clama por uma nação que se encontre e reencontre com o seu destino de ser uma, de norte a sul e de leste a oeste. Por uma nação que saiba aceitar e conviver com o diferente e reencontre o caminho da dignidade, das reformas políticas e econômicas que se fazem necessárias e de espaços onde os nossos filhos e filhas possam correr e brincar sem medo de serem atingidos por uma bala perdida.

A nossa oração é confiada Àquele que restaura e cuida de nossas vidas, de nossas famílias e de nossa nação. De forma particular, oramos pelo candidato Jair Bolsonaro e por sua pronta recuperação. Oramos por sua família para que experimente o cuidado e a graça de Deus neste momento de susto e de consternação. E oramos por todos os candidatos, para que eles tenham a liberdade de circular livremente e sem medo de ser assustadoramente atacados ao empreenderem sua legítima campanha política. E oramos, ainda, que o Senhor repreenda qualquer um que esteja “amolando a sua faca” e assim aninhando qualquer proposta maligna de violentar a qualquer outro, seja este grande ou pequeno, esteja em campanha ou simplesmente sentado à frente de sua casa para uma boa conversa com o seu vizinho.

Que a tua graça, Senhor, nos encontre e possamos ver nascer entre nós um novo dia.
Dia de esperança. Dia de encontro. Dia de justiça.
Dia do Senhor.

Valdir Steuernagel
p/ Aliança Cristã Evangélica

 

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