Lausanne

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Aliança Cristã Evangélica Brasileira: Comprometida com o Reino e a Sociedade

 

Sobre sua Ideologia, sua Inserção Social e sua Isenção Político-Partidária

Visão e Missão da Aliança Evangélica
A partir de sua Declaração de Fé e da vontade dos irmãos e irmãs que a constituem, a Aliança surge em resposta obediente à oração de Jesus registrada pelo evangelista João (17. 21), “... para que todos sejam um [...] que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”.

Nasce com a visão de “manifestar a unidade da igreja por meio do testemunho visível de amor e serviço no evangelho de Jesus Cristo” e tem como missão fomentar parcerias entre igrejas e organizações, para “congregar seguidores do Senhor e Salvador Jesus Cristo como expressão da unidade da igreja”.

O Propósito da Aliança
Os objetivos da Aliança Evangélica, à luz de sua visão e missão, e alicerçados em sua declaração de fé, podem ser sintetizados em três ênfases (dos objetivos estabelecidos em Estatuto):

- Incentivar o compartilhamento de experiências, potencializar ações e facilitar parcerias em diferentes áreas da vida da igreja.

- Ser um canal de informação e comunicação entre os participantes da Aliança e entre estes e a sociedade brasileira.

- Representar seus filiados em questões relevantes à Igreja perante a sociedade, sempre respeitando a diversidade denominacional e a autonomia de seus membros.

A Unidade na Diversidade
Os filiados à Aliança afirmam sua unidade à luz da fé, dos princípios e dos valores que comungam. Entretanto, percebem a diversidade da qual fazem parte, por sua atuação no Corpo de Cristo face à variedade de dons, por suas vocações ministeriais múltiplas para atender o propósito da missão de Deus no mundo. Percebem também sua diversidade à luz da sua história e origem, provenientes de diversos movimentos evangelizadores que alcançaram o Brasil com suas ênfases doutrinárias ministeriais e organizacionais.  Desse modo, pode haver divergência ou discordância entre seus membros, mas apenas   nas questões periféricas da fé evangélica.

A Inserção Social Transformadora do Evangelho e dos Cristãos
A Aliança Evangélica crê na declaração do próprio Cristo de que seus seguidores “são sal da terra e luz do mundo” e afirma como um de seus valores que “A fé e a vida formam uma unidade indivisível: uma não pode existir sem a outra. A fé em Cristo precisa seguir a Cristo na construção de uma vida individual e coletiva marcada pelo compromisso com uma ética de amor, justiça, verdade e integridade”.

A fé cristã nos convida a uma participação cidadã responsável e transformadora, por isso a Carta fundante da Aliança não se furta ao tema. Em um de seus parágrafos, quando trata de “Cidadania e serviço, a nossa fé, inspirada no modelo de Jesus, nos ensina a priorizar o bem do outro, servi-lo com amor e zelar pelo exercício de uma cidadania marcada pela justiça, pelo amor e pela verdade, sempre que isto não implique manifestação de apoio político-partidário ou de apoio a uma candidatura para cargo político eletivo”.

Nessa direção, a Aliança criou a Assessoria de Igreja e Políticas Públicas e a Assessoria de Advocacy e Direitos Humanos, que trabalham em parceria. Esse tema é do maior interesse para as igrejas interessadas em provocar mudanças na sociedade a partir de políticas públicas nos diversos domínios sociais, na sua tarefa de discipulado da nação. Estas mudanças passam efetivamente na luta pela defesa de direitos, o que significa influenciar pessoas, políticas, estruturas e sistemas, a fim de causar mudanças, influenciando aqueles que estão no poder a agir de modo mais ético e igualitário.

Assumimos o processo de incidência como aquele que busca "influenciar", "alterar rumos", "gerar impactos no processo de tomada de decisão" com relação à criação, ao desenvolvimento, à avaliação, à correção e ao monitoramento de uma política pública. Entendemos que a política pública está muito acima da política partidária, responde a interesses públicos e deve se constituir, a longo prazo, em política de Estado.

A Aliança e sua relação com a Política e com os Governos
Ao relacionar-se com as demandas da sociedade, quanto à maneira como se organiza a vida de uma nação para atender os ditames da justiça e da paz, toca-se no aspecto político. Mas não devemos confundir isso com envolvimento político-partidário ou ideológico. A Aliança não oferecerá apoio a nenhum candidato, não se manifestará quanto a qualquer partido político e nem estará a serviço de qualquer ideologia política.

Esse aspecto é enfatizado também em seu Estatuto (capítulo IV, seção II, artigo 21, § 3º) que diz “Os membros do Conselho Coordenador que concorrerem à eleição político-partidária, serão automaticamente -desligados do Conselho, assim que seus partidos oficializarem suas candidaturas”.
A bem do cumprimento de alguns dos seus objetivos, a Aliança deverá se relacionar com governos que estejam legitimamente constituídos, dentro do regime democrático. Para isso, serão   necessárias tratativas, representações, audiências, manifestações, participações em movimentos coletivos, a fim de dialogar com representantes dos governos sobre assuntos de suma importância para a vida da nação, bem como do interesse dos filiados a quem a Aliança representa.

O capítulo I, Art. 5º do Estatuto, prevê: “A critério do Conselho Coordenador, a Aliança poderá firmar convênios, contratos, promover iniciativas conjuntas com organizações e instituições públicas e privadas, tanto nacionais como estrangeiras. Parágrafo único. Os atos previstos no artigo não poderão envolver compromisso ideológico, político-partidário ou de interesses particulares”. O artigo 6º, naturalmente após o artigo 5º, confirma a natureza independente da Aliança: “A Aliança é autônoma, soberana e independente em suas decisões, não estando subordinada a qualquer outra instituição ou entidade”.

Sabemos que as tratativas com os governos e seus prepostos, nos diferentes níveis da federação, ora poderão ser interpretadas como apoio, ora como discordância. Mas o que está em foco é a causa da justiça, da manifestação dos valores do Reino de Deus em nossa sociedade, a bem do “órfão, da viúva e do estrangeiro” (na linguagem bíblica do Antigo Testamento). Assim, em alguns momentos a Aliança estará ao lado do governo nas causas em que há convergência, enquanto que em outros, poderá  discordar e  se for preciso, até  se manifestar contrariamente, assumindo voz profética.

Cabe lembrar aqui as palavras do pastor Martin Luther King Jr. já citadas em nossa cartilha Evangélicos e Transformação Social: “A igreja deve ser lembrada de que não é a mestra ou a serva do Estado, mas sim a sua consciência… Ela deve ser a guia e a crítica do Estado, nunca sua ferramenta. Se a igreja não recuperar seu fervor profético, ela se tornará um clube social irrelevante, sem autoridade moral ou espiritual...”  (in: Strength to Love, 1963.)

 

A Aliança e seu Testemunho Público
A Aliança Cristã Evangélica Brasileira, à luz da fé bíblica e histórica do povo de Deus, propõe-se ser um testemunho público da unidade que há em Cristo Jesus e acolher a diversidade de dons, ministérios e vocações. Deseja também demonstrar publicamente o amor e o serviço no Evangelho de Cristo, de maneira relevante para a presente geração, em toda nação e lugar para onde e Deus nos chamar.

No Propósito de Informar sobre nossa Recente História.
A Aliança Cristã Evangélica Brasileira foi fundada em 30 de novembro de 2010, no templo de uma das igrejas evangélicas mais antigas do Brasil, a Igreja Metodista da Liberdade, em São Paulo, e com o endosso de cerca de 300 irmãos e irmãs, líderes evangélicos vindos de todo o Brasil. Como está expresso em sua Visão, a Aliança Evangélica busca manifestar “a unidade da igreja por meio do testemunho visível de amor e serviço no evangelho de Jesus Cristo”.

Este momento foi precedido por vários encontros, considerações e reflexões, envolvendo muitos irmãos e irmãs vindos de todas as partes do Brasil. Já em 2008 um grupo avaliava a necessidade e conveniência de ver nascer no Brasil uma expressão de Aliança Evangélica. Em novembro de 2009, cerca de 70 pessoas, vindas de diferentes lugares e representando diferentes igrejas e organizações, reuniram-se em São Paulo e indicaram alguns nomes para compor um grupo de trabalho. A fundação surgiu um ano depois. Entre novembro de 2009 e novembro de 2010 aconteceram várias reuniões de escuta e encontros com várias lideranças evangélicas, em diferentes cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Brasília, Anápolis, Curitiba e Vitória. Uma dessas importantes reuniões aconteceu durante a realização do Congresso Lausanne 3, em Capetown, na África do Sul, onde se reuniu um grupo representativo de 90 evangélicos brasileiros.

O primeiro Conselho Coordenador, composto de 20 irmãos e irmãs, eleito em novembro de 2010, teve a incumbência de preparar, em um ano, a convocação de uma Assembleia Geral para constituir formalmente a Aliança Cristã Evangélica Brasileira, mediante a aprovação de seu Estatuto Social. Essa Assembleia teve lugar em novembro de 2011, durante a realização de um Fórum Nacional, hospedado pela Primeira Igreja Batista de Brasília.


No Propósito de Informar sobre nossa Carta de Crenças, Princípios e Valores

Ao mesmo tempo   que se realizavam as reuniões de escuta e se caminhava na direção da criação da Aliança Evangélica no Brasil, trabalhava-se com muito afinco na elaboração de um Documento que se tornasse uma carta fundante, afirmando as crenças, princípios e valores desta caminhada. Para este processo levou-se em conta declarações de fé históricas, algumas mais recentes de organizações reconhecidamente evangélicas em nosso meio e, também, o Pacto de Lausanne. Em 30 de agosto de 2010, chegou-se a uma versão que foi levada à Assembleia de Fundação. O documento foi disponibilizado para leitura prévia pelos interessados e foi aprovado por todos os presentes à Assembleia de Fundação, em novembro de 2011. Leia este Documento em nosso site: Carta de Princípios. No preâmbulo de sua Carta de Crenças, Princípios e Valores lemos: “A Aliança Cristã Evangélica Brasileiraidentifica-se como seguidora de Jesus Cristo, razão pela qual participa do esforço pela unidade da igreja. A serviço dessa mesma igreja, ela se sabe, também, a serviço da missão de Deus no mundo, o que se dá sob a direção da Palavra de Deus e a inspiração do Espírito Santo.

A Aliança confessa a sua fé em sintonia com o legado evangélico que tem marcado significativos setores da igreja cristã e se sabe alicerçada nos marcos da Reforma Protestante, com destaque especial para os seus postulados básicos: Sola Scriptura, Solo Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria”.


Conselho Coordenador da Aliança Evangélica
- Brasil, agosto de 2015

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