Lausanne

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Identidade, Unidade e Testemunho

O fio vermelho da fé cristã!

Por Valdir Steuernagel

Introdução

Estamos comemorando 42 anos do Movimento de Lausanne para a Evangelização Mundial, pois o primeiro Congresso aconteceu em Lausanne, na Suíça, em 1974. Entrementes, o centro vital da igreja, especialmente das igrejas evangélicas, deslocou-se para o sul do mundo, que é majoritariamente pobre e multirreligioso e onde ela vem crescendo substancialmente. Dentro deste universo geralmente se celebra o crescimento da igreja e se lamenta o processo de secularização da Europa, onde ela está diminuindo e o modelo de cristandade ruindo.

Na celebração dos 40 anos de Lausanne, no entanto, surpreendeu-nos o compartilhar europeu, afirmando que a igreja está viva e está crescendo. É claro que estamos falando de pequenos números e de ensaios que procuram alcançar uma população cética e uma crescente população imigrante. Num desses testemunhos, por exemplo, celebrou-se o crescimento da igreja evangélica na França, onde se planta uma nova igreja a cada nove dias; e essas igrejas quadruplicaram nos últimos quarenta anos, isto sem contar as inúmeras e crescentes igrejas de imigrantes e igrejas para os imigrantes. Assim, percebe-se naquele país um despertar para a espiritualidade. Dentro deste quadro europeu, de crescimento das mais variadas expressões religiosas, é imperativo que haja um compromisso missionário que responda à necessidade do testemunho do evangelho de Jesus Cristo naquele contexto. E o que se vê é um engajamento testemunhal que encontra eco na vida de muitas pessoas e faz da igreja de Jesus Cristo uma realidade viva naquele país que pensávamos absolutamente fechado para o evangelho.

Ao ouvir o testemunho acerca do crescimento da igreja na França, uma nota chamou minha atenção. É que na raiz deste processo de crescimento há dois fatores determinantes: a unidade e a oração. Ou seja, no início deste processo os irmãos se encontraram, reconheceram a necessidade de se unirem e de, em conjunto, interceder pela sua nação e pela evangelização desta, e daí nasceu o esforço conjunto na busca de uma igreja evangelizadora, atuante e crescente.

É significativo ressaltar quantos movimentos e esforços missionários começaram com estas duas marcas: a unidade e a oração. Se voltarmos ao início do movimento missionário pós-reforma, por exemplo, veremos algo similar. Como fruto do sopro reformador, em pleno século XVIII, o Conde Ludwig Graf von Zinzendorf ofereceu asilo, em sua propriedade, a cristãos moravianos que eram perseguidos em suas comunidades de origem.  Eles experimentaram três movimentos:

Tornaram-se uma comunidade. Uma comunidade composta por andarilhos de várias partes da Morávia e da Boêmia, que hoje são parte da República Tcheca.

Desencadearam um movimento de oração contínua que se manteve por 100 anos.

Enviaram missionários para vários lugares do mundo, só com a passagem de ida e sem garantia de sobrevivência, sendo que vários deles nunca chegaram ao lugar de destino e morreram a caminho. Aliás, segundo Gustav Warneck, esta única e pequena  comunidade enviou mais missionários em duas décadas do que “todo o protestantismo o fizera em dois séculos”.1

Voltemos nosso olhar para as nossas próprias histórias e comunidades. Certamente iremos perceber que muitos dos movimentos e momentos de testemunho e expansão da causa do evangelho foram antecedidos por uma experiência de encontro entre irmãos e irmãs, acompanhado, em muitos casos, do arrependimento pela divisão e separação entre eles e seguido de uma nova consagração a Deus e à sua causa.

Aliás, é o próprio testemunho bíblico que nos aponta esta direção. A missão é fruto da comunidade em comunhão e em oração.

A comunidade dos discípulos se encontra na espera e na oração!

No início do livro de Atos dos Apóstolos Jesus orienta os seus discípulos a esperarem, em Jerusalém, pela vinda do Espírito Santo; e eles, como resposta, ficaram juntos e em oração (Atos 1.12-14). De fato, estas duas notas permeiam os primeiros capítulos do livro, tanto antes como depois da experiência do Pentecoste.

Mesmo num segundo momento, quando a igreja passa a ser perseguida mais sistematicamente, os líderes da igreja se espalham, mas na diáspora vão formando igreja, se encontrando e se envolvendo em novo movimento missionário.

Assim a igreja vai se instalando num número cada vez maior de lugares e novos líderes vão surgindo e se engajando na causa de Jesus.

- A natureza do evangelho é gregária. O evangelho provoca o encontro, estabelece relacionamentos e gera comunidade.

- A consequência natural da evangelização é a comunidade.

- O evangelho constitui uma nova família que vive em unidade.

 

Identidade, Comunidade e Testemunho: um trinômio inseparável

De fato, se poderia dizer que o evangelho produz um trinômio que expressa a própria natureza do que ele é. Um dos melhores exemplos deste processo encontra-se na primeira Carta de Pedro. Ela é escrita para “estrangeiros e peregrinos no mundo” (1 Pe 2.11), dispersos em diferentes igrejas na Ásia Menor e que, ao serem encontrados pelo evangelho, são transformados por ele para:

- Adquirir uma nova identidade, que lhes é concedida pelo próprio Deus através do “sangue” do seu Filho.

- Constituir uma comunidade na qual eles não apenas experimentam amor e cuidado mútuos, mas também são agraciados ao se constituírem numa “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus” (1Pe 2.9).

- Essa nova comunidade passa a ser testemunha “daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). Este testemunho implica viver na sociedade de maneira digna do evangelho, tanto na proclamação como no serviço e na própria maneira de viver (vide Cl 1.10, Rm 16.1,2).

Para vivenciar este trinômio nós precisamos amadurecer na vivência da nossa fé, aprofundar-nos no conhecimento das Escrituras, crescer na intimidade com Deus e aprender a amar o outro assim como Cristo o amou.

Temos um longo caminho a percorrer!

Assim como recebestes a Cristo, assim andai nele (Cl 2.6).

A fé cristã é um convite que envolve a vida toda e toda a vida. A partir do momento em que entregamos a nossa vida a Cristo Jesus, ela já não nos pertence, mas está entregue nas mãos daquele que nos chamou para ser dele e servir a ele.

A fé cristã é também um convite para um contínuo aprofundamento na fé, crescimento em Cristo e na construção de um testemunho que valorize o outro e edifique a comunidade em unidade.

O apóstolo Paulo, ao falar da experiência de Coríntios, nos ajuda a entender esse desafio e nos dá uma linguagem para entender o que está querendo dizer. Segundo ele, não podemos continuar a ser “crianças em Cristo”, nunca prontos a sermos alimentados com alimento sólido (1 Co 3.1-3) e a viver uma vida cristã madura. Paulo discorre sobre o que significa viver como “crianças’, provocando divisões e partidarismo nas próprias fileiras da fé.

É tempo de amadurecer, como membros da igreja evangélica brasileira. E um sinal disto é a busca da unidade, deixando a divisão e o partidarismo para trás.

Afirmamos todo anúncio do evangelho que esteja fundamentado em Cristo e produza o bom aroma de Cristo.

Anatematizamos todo e qualquer anúncio do evangelho que não gere uma identidade fundamentada na suficiência de Cristo e esteja a serviço de interesses outros.

Afirmamos toda vivência evangélica que encontre na comunidade o seu lugar de convivência, escuta e obediência na caminhada da fé.

Anatematizamos toda proclamação e vivência de um evangelho que se considere superior ao outro, produza um espírito divisionista e esteja em busca de poder, ainda que de forma dissimulada.

Afirmamos toda vivência do evangelho que se expresse em um testemunho que abrange a vida toda e todas as áreas da vida e sempre tem como objetivo compartilhar a boa nova do evangelho.

Anatematizamos toda e qualquer tentativa de vivência cristã em círculos fechados, autossuficientes e excludentes, seja por razões étnicas, culturais, geográficas, denominacionais ou mesmo por arrogância espiritual.

Buscamos o caminho do testemunho porque experimentamos a riqueza da vida comunitária e nos sabemos agraciados com a identidade que nos foi graciosamente concedida pelo “precioso sangue de Cristo” (1 Pe 1.19).

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